Autoridades em Gaza confirmam entrada de combustível para religar serviço de telefonia

Antena de telefonia celular na fronteira entre Israel e a Faixa de Gaza
Antena de telefonia celular na fronteira entre Israel e a Faixa de Gaza — Foto: Kenzo Tribouillard / AFP

Autoridades de fronteira na Faixa de Gaza confirmaram a entrada de um suprimento inicial de 17 mil litros de combustível no território palestino, destinados ao restabelecimento dos serviços de telecomunicações, no mesmo dia em que o Gabinete de guerra israelense autorizou a envio diário para Gaza de 70 mil litros de combustível. A decisão foi creditada à pressão do governo dos Estados Unidos sobre o premier Benjamin Netanyahu.

O envio desta sexta-feira foi destinado à manutenção dos sistemas de telecomunicações dentro de Gaza — sem um suprimento externo de energia, a Paltel, empresa responsável por serviços como a rede de telefonia celular, dizia não ser capaz de manter os equipamentos funcionando. Desde a noite de quinta-feira, o território enfrenta um apagão de comunicações, e antes da confirmação de que os caminhões entraram em Gaza não havia qualquer previsão de retorno das operações — o apagão foi o quarto em pouco mais de um mês de guerra.

Em publicação no X (antigo Twitter), depois da entrada do combustível, a Paltel anunciou a retomada parcial dos serviços:

“Gostaríamos de anunciar o retorno parcial dos serviços de comunicações (fixas, celulares e Internet) em diversas áreas da Faixa de Gaza, após uma quantidade limitada de combustível ter sido fornecida pela Agência de Ajuda (UNRWA), para operar os geradores das nossas principais estações”, diz a empresa. “Gostaríamos também de salientar que a continuidade dos serviços depende do fornecimento regular de quantidades suficientes de combustível.”

O governo de Israel vinha relutando em permitir a passagem dos caminhões-tanque para Gaza, alegando que o combustível seria desviado para o Hamas, e usado em ataques contra posições e cidades israelenses. Contudo, na noite de quinta-feira o secretário de Estado americano, Antony Blinken, ligou para autoridades israelenses e cobrou que o combustível chegasse em Gaza, alegando a iminência de uma “catástrofe humanitária”. Um dia depois, veio o sinal verde de Israel.

“Os EUA estão trabalhando em conjunto com Israel e nossos parceiros na região para garantir entregas contínuas de combustível, para que a ajuda humanitária que salva vidas possa continuar a ser entregue, e para que serviços essenciais em Gaza possam ser restaurados”, declarou , em comunicado, Adrienne Watson, porta-voz do Conselho de Segurança Nacional. “Estamos satisfeitos que Israel concordou com as entregas de combustível em Gaza depois de nosso vigoroso pedido. Esperamos que essas entregas continuem a ser feitas de forma regular e em quantidades maiores.”

Pelo acerto, será permitida a entrada de dois caminhões-tanque por dia em Gaza, um volume entre 60 e 70 mil litros de combustível — antes da guerra, eram 50 caminhões diários. A maior parte será destinada a usinas de dessalinização de água, tratamento de esgoto e para veículos que distribuem água, alimentos e medicamentos pelo território. O restante será destinado à manutenção da rede de telecomunicações da Paltel, também responsável pela rede de internet em Gaza.

Apesar da notícia positiva, a UNRWA, a agência da ONU que opera dentro de Gaza, destacou em relatório recente que são necessários 160 mil litros diários de combustíveis para atender a todas necessidades básicas da população local. No começo da semana, Thomas White, diretor da agência, havia alertado que as operações humanitárias poderiam cessar caso o fornecimento de combustível não fosse retomado.

Fonte: O Globo

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