Acordo entre Israel e Hamas deve incluir cessar-fogo temporário e troca de prisioneiros por reféns

Com as tropas israelenses cercando a cidade de Jabalya, no norte de Gaza, na frente militar do conflito no Oriente Médio, fontes ocidentais e relacionadas ao Hamas afirmaram, nesta terça-feira, que um acordo para uma trégua no enclave palestino está em fase de finalização e pode ser anunciado nas próximas horas.

Os termos do acordo ainda não são conhecidos, mas interlocutores dos governos dos Estados Unidos e do Catar, bem como anúncios feitos por autoridades do braço político do Hamas indicaram alguns tópicos em discussão. De acordo com as informações de momento, é possível que o acordo se refira apenas a uma trégua temporária, e seja focado na troca de reféns israelenses por prisioneiros palestinos.

“Estamos perto de alcançar um acordo para uma trégua”, declarou Ismail Haniyeh, em um comunicado divulgado pelo Telegram do Hamas, nesta terça-feira. Em uma entrevista à TV Al-Jazeera, um porta-voz do grupo terrorista, Izzat el Reshiq, afirmou que os termos do acordo seriam divulgados por autoridades do Catar, onde o Hamas mantém seu escritório político, “em horas”.

— O esperado acordo vai incluir a liberação de mulheres e crianças reféns em troca da soltura de crianças e mulheres palestinas em prisões da ocupação — afirmou Reshiq. Ocupação é como o Hamas se refere a Israel, uma vez que o movimento não reconhece a existência do Estado judeu, considerando a ocupação do território ilegal.

O sequestro de cidadãos israelenses, incluindo militares, para posterior troca por palestinos presos em Israel é uma prática recorrente do Hamas. Quando o grupo terrorista capturou o mais de 200 pessoas no ataque de 7 de outubro, as autoridades israelenses e de seus aliados ocidentais já esperavam que alguma exigência similar entrasse na mesa de negociações em certa altura.

O resgate dos reféns foi apontado pelo governo israelense como uma prioridade, mas sem nenhum resgate bem sucedido com a invasão do enclave palestino, o clamor da sociedade civil por respostas aumentou nas últimas semanas, pressionando o Gabinete de Benjamin Netanyahu. Antes do anúncio do Hamas de que o acordo estava próximo, o premier chegou a declarar que não cessaria os ataques contra Gaza, até que os reféns fossem devolvidos em segurança.

Em sua entrevista na TV catari, Reshiq afirmou ainda que nenhum militar israelense capturado em 7 de outubro seria liberado por meio desta negociação, e que Israel não impôs nenhum termo pela força, apontando que o texto final também foi aceito pelo braço político do grupo terrorista.

Partes internacionais envolvidas no conflito também demonstram otimismo com o avanço das negociações. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Catar, Majed Al-Ansari, afirmou que as conversas haviam alcançado “o ponto mais próximo” de um acordo até o momento, e que estaria em um “estágio final e crítico”. Na segunda-feira, o porta-voz de segurança nacional da Casa Branca, John Kirby, disse que um “acordo sobre reféns” estava avançando e que estava “mais próximo do que nunca esteve”.

Embora o acordo possa trazer um certo alívio ao enclave palestino, sobretudo à infraestrutura humanitária, severamente destruída pelos bombardeios e ataques incessantes de Israel, é improvável que qualquer termo negociado nesta terça seja um acordo de paz definitivo entre os grupos.

A rede britânica BBC chamou a atenção para o comunicado do líder do Hamas, que utilizou o termo árabe “hudna”, explicando se referir a um tipo de pausa temporária.

Quando declarou guerra ao Hamas, Benjamin Netanyahu e sua cúpula política afirmaram que o grande objetivo seria a eliminação do grupo terrorista – um objetivo que não parece ter mudado, embora analistas o apontem como improvável de ser atingido. Nada indica que Israel estaria disposto a rever sua relação com o grupo terrorista, fora negociações pela liberação de reféns.

Fonte: O Globo

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