Marcos Dantas

Tradicionais cercas de pedras estão sendo destruídas no Seridó


Foto: Marcos Dantas

Foto: Marcos Dantas

Considerada por muitos um patrimônio do Seridó, as famosas cercas de pedras estão sendo destruídas. Quem viaja com freqüência pela BR-427, principalmente no trecho entre Caicó e Jardim do Seridó se depara com caminhões de particulares, retirando as pedras das cercas, para venderem para a construção de alicerces ou outras finalidades. Um Boletim de Ocorrência já foi feito na Delegacia de Polícia de Caicó, com pedidos de providencias para a apuração dos fatos.

De acordo com o ambientalista Chico Elpídio, que realiza ao longo de 23 anos uma pesquisa sobre o tema, as cercas de pedras surgiram no início das primeiras demarcações de terras no Seridó. “As cercas de pedras dão posse, era como você fazer uma casa em um terreno, 100 metros ao redor vai ser seu, se deixarem construir numa propriedade sua uma casa, aquela pessoa vai ter a posse. As cercas foram trabalhadas nas grandes secas, com sofrimento de pessoas muito pobres, quando os fazendeiros queriam tomar as terras dos pequenos, eles começaram a fazer cercas de pedras, demarcando suas terras”, explicou ao Blog do Marcos Dantas.

Chico explica que um mestre de cerca de pedra ganha hoje o equivalente a uma diária de pedreiro, situação totalmente diferente de antigamente. “Naquele tempo eles trocavam o dia de trabalho por comidas. Daí pra cá as cercas viraram um patrimônio do Seridó, porque apenas a nossa região e a Espanha dispõem disso”. O ambientalista não concorda com a alegação dada por quem defende o fim das cercas de pedras, e lamenta que grande parte dela tenha sido destruída, e usada na construção da Ilha de Sant’Ana de Caicó. “Eles dizem que foi por causa do barbeiro. O barbeiro tem em todo canto, até na casa da gente. Pode ter barbeiro porque vai ter rato, preá”.

Elpídio enumera como um dos principais benefícios das cercas de pedras a proteção do meio-ambiente. “Como os desmatamentos são grandes, as primeiras chuvas vão carregar muito solo. Onde tiver cerca de pedra ela vai barrar. Não podemos acabar jamais as cercas de pedras no Seridó. Isso é criminoso, não sei por que os órgãos fiscalizadores não tomam as providências”, finalizou.