Só dinheiro não resolve. Um análise sobre a investida de Tião da Prest à Prefeitura de Mossoró


Tião foi candidato dele mesmo. Não recebeu convocação de ninguém. Decisão mais ou menos assim: “Eu tenho dinheiro e vou ser candidato.” Ponto final.

Tião foi candidato dele mesmo. Não recebeu convocação de ninguém. Decisão mais ou menos assim: “Eu tenho dinheiro e vou ser candidato.” Ponto final.

Do Blog do César Santos – O que esperar de Tião da Prest daqui para frente? Será político ou voltará exclusivamente para o universo empresarial?

Não é possível, neste momento, fazer qualquer previsão. Ninguém sabe o que pode sair de sua cabeça. Imprevisível. Tião pode tomar qualquer decisão, de acordo com o seu desejo de momento. Ele pensa assim, por entender que o dinheiro pode tudo.

A sua candidatura a prefeito surgiu de uma brincadeira em mesa de bar com os amigos da construção civil. Ele disse que seria candidato; os amigos duvidaram; ele apostou que cumpriria a palavra e cumpriu.

Tião foi candidato dele mesmo. Não recebeu convocação de ninguém. Decisão mais ou menos assim: “Eu tenho dinheiro e vou ser candidato.” Ponto final.

Depois daí, ganhou motivação. Visto como milionário e disposto a gastar, logo atraiu interessados de tudo quanto era canto. Todos de olho na sua conta bancária, diga-se. Ninguém engajado efetivamente em um projeto político. E muitos faturaram bem; alguns garantiram a receita do ano. Uma fartura.

De origem humilde, desconhecido do “high society” e da massa gente, a campanha eleitoral lhe ofereceu a oportunidade do abraço, do aperto de mão, do sorriso desconhecido e dos gritinhos histéricos dos fãs de ocasião, as manjadas claques. Tudo que ele nunca teve. Não era sincero; era pelo dinheiro, mas fez bem ao ego.

Ele se sentiu ao escalar a Presidente Dutra azulada. Se divertiu, é verdade.

No entanto, sua campanha, apesar da ostentação, tinha dificuldade de sair do canto, por deficiências profundas de conteúdo. Como candidato ao cargo maior da segunda mais importante cidade do Rio Grande do Norte, não conseguiu transmitir confiança ao cidadão, por suas próprias limitações.

Discurso desconexo, não juntava coisa com nada. Sequer mostrou-se capaz de diferenciar o ASG do “servente” na função de “limpar banheiros de creches”. E se assustou quando foi chamada para falar do SUAS, por não saber o que é o Sistema Único de Assistência Social, o be-a-bá das ações sócio-assistênciais da gestão pública.

Isso não diminui em nada a sua história de vencedor. É um ganhador de dinheiro, que nasceu pobre e ficou milionário. Palmas. Daí para a gestão pública, porém, tem uma distância. Aliás, distância que ele não conseguiu estreitar junto ao eleitor. Não por culpa exclusivamente sua.

O seu marketing o orientou a ser agressivo, atacar, trincar os dentes e fechar os punhos para chamar adversária de “mentirosa”, invés de prepará-lo para o debate propositivo. Acabou criando uma imagem de homem antipático e arrogante, diferente daquele senhor humildade que saiu de baixo para fazer sucesso na indústria do petróleo.

A campanha de Tião entrou setembro sem saber o que era dois dígitos. O sopro só veio com a desistência do prefeito Silveira (PSD), negociado no “pacto político e jurídico” denunciado em áudios pela primeira-dama Amélia Ciarlini. Daí, confronto estabelecido: Tião x Rosalba Ciarlini (PP).

Criou-se um clima, é verdade, mas não tinha mais tempo para alterar a opção da maioria dos eleitores, decididos a trazer Rosalba de volta ao poder municipal. Nem mesmo o poderio econômico e a força máquina pública alterariam o rumo da corrida eleitoral.

Todos sabiam que Rosalba seria eleita, como de fato foi, menos ele, Tião, porque os que estavam do seu lado, para manter a torneira aberta, o iludiram, dizendo que era possível. Não era.

Se tivesse tido um amigo de verdade, teria ouvido o conselho: “Ê Tião, gaste mais o seu dinheiro não.”

De positivo, os 51 mil votos. Senha para se tornar o nome da oposição. Resta saber se ele terá essa capacidade, coisa que não mostrou até aqui, e se terá respaldo dos liderados quando fechar o duto.