Pesquisa com Algaroba resultou em um creme com efeito hidratante para aplicar na pele

Quando a Ciência se propõe a estudar o meio ambiente com o intuito de oferecer à população novas perspectivas para a utilização consciente dos seus recursos, o resultado pode ser um ganho para a economia local, para a qualidade de vida daqueles que lidam diretamente com a extração desses recursos, e claro, para a preservação ambiental.

Foi a partir desse raciocínio que o Departamento de Farmácia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (DFARM/UFRN) vem desenvolvendo duas pesquisas há aproximadamente 3 anos, nos Laboratórios de Pesquisa e Desenvolvimento de Produtos Cosméticos e de Farmacognosia. Ambas orientadas pelos professores Márcio Ferrari e Raquel Brandt Giordani, com plantas conhecidas no nordeste brasileiro:  a Algaroba e o Sisal.

As pesquisas com a Algaroba e o Sisal são, respectivamente, objetos de estudo do doutorado de Gabriel Azevedo de Brito Damasceno e de mestrado de Stella Maria Andrade Gomes Barreto. As duas estudam sobre o potencial do uso das plantas como novas matérias-primas cosméticas para aplicação hidratante.

A Prosopis Juliflora, popularmente conhecida como Algaroba, está muito presente na vegetação da Caatinga. Considerada uma planta invasora, ela interfere no crescimento das plantas que nascem ao seu redor.

Ela não é nativa da Caatinga, foi levada para o bioma com o intuito de ajudar no reflorestamento e na alimentação do gado. Por conta da profundidade da sua raiz, ela capta água das redondezas. Essa particularidade é o fator que impede a vegetação de se desenvolver na mesma proporção que ela.

Estudos que serviram como base para a pesquisa indicam a presença de alguns tipos de polissacarídeos na sua estrutura. Essas moléculas são ricas em grupamentos hidrofílicos, ou seja, ela consegue manter muitas moléculas de água ao redor da sua estrutura química, o que permite a hidratação.