Marcos Dantas

Número de pretendentes à adoção no RN supera o de crianças, mas perfil pretendido é barreira


Dados do Cadastro Nacional de Adoção (CNA) mostram que no Rio Grande do Norte 358 pretendentes aguardam uma criança para adotá-la. Na outra ponta, 29 crianças ou adolescentes anseiam por uma família que as acolha, enquanto 14 já estão vinculadas a algum pretendente, em processo de adoção. Apesar do número de pretendentes ser oito vezes maior que o de crianças e adolescentes à espera da adoção, a conta dificilmente fecha. Isso porque em boa parte dos casos aquelas estão fora do perfil pretendido pelos possíveis adotantes. Situação que se repete em todo país: são atualmente 37.401 pretendentes em um universo de 6.993 crianças e adolescentes disponíveis para adoção.

O coordenador executivo da Coordenação Estadual da Infância e Juventude (CEIJ) do TJRN, João Francisco de Souza, aponta a necessidade de um trabalho conjunto por parte dos órgãos que atuam na garantia dos direitos de crianças e adolescentes para sensibilizar os pretendentes à adoção quanto a importância de estarem abertos ao formularem o perfil pretendido. A CEIJ busca estimular as adoções necessárias – que envolvem crianças mais velhas, ou com alguma doença ou deficiência, além de grupos de irmãos.

“As pessoas têm a ideia de que a criança mais velha, filha dos outros, é trabalhosa, problemática. Mas seu filho biológico pode ser uma criança que dá trabalho. Toda criança, todo ser humano tem seus problemas”, aponta João Francisco.

Para desmistificar esse e outros preconceitos sobre o perfil da adoção, a CEIJ – em parceria com a Secretaria de Comunicação do TJRN, a ONG Acalanto Natal e Semtas – está produzindo um mini-documentário para ser exibido durante os cursos de formação obrigatórios para os pretendentes à adoção. Para a jornalista Luciana Silveira, que coordena o documentário, a ideia é mostrar aos pretendentes a realidade enfrentada por essas crianças em busca de um lar, ressaltando que todas precisam de inclusão e de uma família. O vídeo será lançado no dia 14 de outubro e retrata diversas realidades de crianças e adolescentes institucionalizados.