Marcos Dantas

Não basta ser “Doutor” – Por Sérgio Azevedo


A exemplo de outras eleições, o advogado Sérgio Azevedo escreve ao Blog do Marcos Dantas, sua análise sobre o resultado das eleições de domingo (02) na cidade de Parelhas, sua terra natal.

Por seguidas eleições, o mesmo grupo político governava Parelhas. A oposição, porém, viu uma luz no fim do túnel: um jovem médico, sem qualquer experiência política, mas que começava a gozar de popularidade devido ao seu trabalho na cidade, inclusive atendendo gratuitamente; poderia ser o candidato ideal para finalmente derrotar o grupo de situação.

Era meados da década de 80 e esse médico era Antônio Petronilo. No decorrer da eleição para governador, o PMDB de Parelhas disse ao então candidato Geraldo Melo que a única chance deste vencer na cidade seria se Dr. Antônio entrasse para a campanha. A missão de convidar – e convencer – o relutante médico a abraçar a política (nos quadros do PMDB) foi incumbida a Carlinhos Assis. E o resto é história…

Ah o destino e suas surpresas!

Ao fim da eleição de 2012, escrevi neste blog que se a oposição de Parelhas quisesse voltar a vencer, precisaria urgentemente de renovação. A luz no fim do túnel foi um jovem médico que, assim como Dr. Antônio, não tinha experiência política, porém muita pretensão: Dr. Tiago Almeida. Como vice, outra novidade, Dra. Guia, esposa de – olha só – Carlinhos Assis, um dos responsáveis pela entrada de Antônio Petronilo na política.

As semelhanças entre Tiago e Antônio param por aí. Embora Almeida fosse realmente um bom nome, representasse uma renovação, alguém sem ligação com medalhões da política, e tivesse recursos; há duas características cruciais que este ainda não tem, mas sobra em Dr. Antônio: Carisma e liderança. E penso que isso fez toda a diferença no resultado da eleição de 02 de outubro.

Como faz falta uma liderança na oposição de Parelhas! Desde que Dr. Mauro morreu em 1992, e do suicídio político de Arnaud Macedo, no mandato de 97 a 2000, os bicudos carecem de um líder inconteste – posição esta que vem sendo disputada internamente por alguns nomes, sem consenso, causando certo desequilíbrio.

Já o PMDB tem um líder, e isso faz toda a diferença. Dr. Antônio foi eleito prefeito por três vezes, elegeu e reelegeu um improvável candidato do PT (e ex-adversário) e agora elege seu filho (novato na política, sem um décimo do carisma do pai), levando seu grupo a vencer a eleição pela quinta vez consecutiva e se firmando como maior liderança política de Parelhas. Todavia, sem Dr. Antônio o bacurau de Parelhas ficaria acéfalo e, por isso, procura-se desesperadamente alguém para sucedê-lo. A aposta é que seu filho Alexandre herde a liderança política. Só o tempo dirá.

Por outro lado, o grupo opositor vem chegando mais perto a cada eleição: Em 2000 a diferença foi de 961 votos; em 2004: 404 votos; em 2008: 315 votos; em 2012: 372 votos; e agora em 2016: apenas 158 votos. É natural que os muitos anos no poder cause desgaste, mas parece que a oposição não está sabendo se aproveitar disso. Apesar da tentativa de renovação e de todo o investimento financeiro (segundo o site do TRE-RN, os recursos recebidos, e até o momento declarados, pela coligação de Tiago foi de R$ 95.697,81, contra R$ 36.550,00 de Alexandre), a sensação é que falta a Tiago – além de liderança e carisma já mencionados – um pouco mais de bagagem e traquejo político.

Com mais essa derrota, o grupo da oposição de Parelhas não pode se sentir tentada a regredir e voltar a insistir em nomes de alta rejeição. O processo de renovação deve continuar, porém trabalhando um candidato desde já (e não apresentando um ao eleitorado há pouco tempo da eleição), que se demonstre firme na oposição ao governo, e que una o grupo em torno de um mesmo projeto.

Tiago pode ser esse nome. Em 2020 já não seria alguém quase desconhecido como este ano. Mas pairam muitas dúvidas sobre suas próprias intenções políticas em Parelhas daqui para frente. Ademais, a oposição precisa trabalhar o eleitorado das comunidades rurais: seu grande calcanhar de Aquiles… E encontrar um líder.

Por Sérgio Azevedo
Advogado e Parelhense