“Em Caicó vence o voto de protesto” – Por Procópio Lucena


Sem querer fazer uma análise política das eleições municipais 2016 em Caicó, expresso apenas uma breve leitura de minha compreensão do resultado das eleições, já afirmando, que o grande vencedor foi o VOTO DE PROTESTO. Este sentimento de parte da população Caicoense já vinha sendo esboçada deste de 2012 quando depositou nas urnas 11.553 votos para a candidata a prefeita de Caicó Francielle Lopes. Em 2014 repetiu essa mesma lógica depositando 11.320 votos em Cição para dep. federal e agora nas eleições deste ano, 12.687 votos para o prefeito eleito Batata.

O fato é que grande parcela da sociedade Caicoense não suportava mais 40 anos de arranjos familiares, promessas, mentiras, atraso político e má qualidade dos serviços públicos oferecidos pela prefeitura para a população do campo e da cidade. Eleitoralmente já não temos mais a mesma hegemonia das velhas oligarquias e conservadoras forças políticas. Esse VOTO DE PROTESTO tem sido uma forma de manifestar a indignação contra as mazelas sociais, culturais, ambientais, econômicas e políticas praticadas pelos caciques da política local.

Evidente que esse VOTO DE PROTESTO pode ser uma atitude alienada, de quem não se importa com os rumos e o futuro de Caicó. Vejam os votos que Francielle Lopes e Cicão obtiveram nas eleições de 2012 e 2014 e os votos que tiveram agora para vereadores, respectivamente, 592 e 138 votos. O que isso significa? Um voto de momento sem nenhuma responsabilidade, sem nenhuma causa e sem nenhum projeto? Será que as eleições tornaram-se apenas espetáculos? O eleitor escolhe candidatos apenas como produtos, consumem e depois descarta! Desta vez se não de certo teremos todos nos Caicoense de suportar quatro anos. Claro, Político não é só voto, também é pressão, reivindicação, cobrança dos compromissos e controle social efetivo.

Toda Caicó sabe que além do VOTO DE PROTESTO venceu a eleição quem teve capacidade de se comunicar bem melhor que seus concorrentes, mesmo que muitas de suas falas e proposições tenham sido vazias de conteúdo. No rádio e no discurso, não raro, não é necessário ser sábio e sim parecer sábio. Quem tem competência midiática vai mais longe, sendo o oposto também verdadeiro. Basta não cumprir o que diz.

Já sabemos que as forças políticas tradicionais de Caicó e a democracia representativa tradicional e seus vícios, se mostraram insuficientes para atender as necessidades da população rural e urbana de Caicó. Porem, ao invés de tentarmos melhorar a política em Caicó, reinventar a democracia, a saída é negar tudo o que ela representa e buscar saídas rápidas, vazias e, não raro, aventureiras. Daí surgiu candidatos que estufaram o peito e mentiram, com orgulho, que não são políticos e não fazem política, negarão a política, mas quer ser prefeito, então o que será de fato? .

Por fim, é bom não esquecemos que a história não caminha em linha reta e é a resultante de forças que variam em tamanho e intensidade de acordo com cada época. Para mudar a atual crise na sociedade Caicoense necessário se faz mudar sua forma de organização, em todas as esferas, tanto econômica, quanto política e cultural e, para tal é imprescindível muita luta, organização e unidade do povo pobre e trabalhador. E tempo de refletir, agir e encontrar novos caminhos, mas também, construir coletivamente resistências para lutar contra os retrocessos na política e nos direitos sociais. Nosso luta em Caicó e em qualquer parte deste país devem ser contra qualquer tipo de opressão e exploração e, para impedir a retirada ou negação de direitos aos pobres, trabalhadores, agricultores, juventudes, mulheres, negros, LGBTs, povos e comunidades tradicionais.

Procópio Lucena – Militante Ecossocialista